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Capítulo 01 - O começo.
Capítulo 02 - Ela faz planos.
Capítulo 03 - Belo começo.
Capítulo 04 - Da Lu para o Matt: noite longa.
Capítulo 05 - É hora de realizar os planos.
Capítulo 06 - Boas notícias têm seu preço.
Capítulo 07 - Muito mais de seus sentimentos.
Capítulo 08 - Surpresas agradáveis; prá quem não acredita em destino...
Capítulo 09 - Contos de fada da vida real.
Parte 01: O começo.
Ela desligou o telefone. Levantou-se normalmente e um segundo depois teve a sensação de estar caindo novamente. Levou as mãos ao rosto e começou a chorar, pergutando-se em voz alta porque ainda fazia aquilo. Sentia-se tão insatisfeita com a vida que estava levando há meses. Queria sair, sumir, perder sua identidade tão refeita e bem estruturada para se transformar em uma qualquer.
Ela sabia como estava. Há mais ou menos um mês que seu cabelo não parava de cair sem motivo aparente, já que eram tão bem cuidados. Mas ela sabia que caíam de depressão, também tinha dores de cabeça, desânimo, tonteiras, fazia xixi o dia inteiro e acordava perturbada à noite - quando conseguia dormir - para ir ao banheiro ou beber água com a garganta grudando de tão seca.
Não se lembrava mais de seu nome, mas isso não fazia mais diferença, ninguém a chamava. Os amigos a abandonaram, não ligavam mais para ela, embora continuassem a ver os outros e marcar festinhas com eles. Os pais estavam ocupados demais gastando o dinheiro do qual ela era privada, afinal já o tinha gasto demais. O resto da família era distante demais, e as pessoas que ela mais amava na vida estavam tão distantes dela, embora há poucos quilômetros de seu quarto.
Cansou-se de culpar a si mesma por todas as desgraças do mundo, afinal de contas, tpm não podia significar o fim. Ela só queria não estar ali naquela hora, não poder atender àqueles telefonemas que a enchiam de tarefas que ela não queria realizar, que ignoravam seu estado de espírito e passavam por cima de suas vontades. Ela só não queria ser ela mesmo com suas responsabilidades. Ela só não queria ser tão dependentes de pessoas e fatos que ela não podia interferis. Situações que ela não podia mudar.
Mas mesmo assim, ela dizia sim para tudo. Sim, sim, sim! Sim, ela ligava para o tio que não gostava. Sim, ela iria no salão trocar seu horário. Sim, ela se calaria; sim, ela iria; sim, ela diria; sim, ela estudaria, ela faria, ela buscava, ligava, pegava, encomendava... SIM. Ela só queria dizer um não sem ser taxada de imprestável. Queria poder negar alguma coisa sem ser criticada por isso. Só queria que as pessoas entendessem que ela também tinha planos, vontades e sentimentos e não tentassem passar por cima daquilo, ignorando tudo para transformá-la em um ser quase perfeito e ainda assim, criticá-la porque ainda não era perfeita.
Ela se levantou, largou tudo, pegou a mochila, calçou um velho par de All Star brancos, vestiu um casaco e saiu, tendo certeza de que levava a chave de casa, no caso de algum dia querer voltar. Algum dia, talvez...
[Continua...]
Parte 02: Ela faz planos.
A rua lotada de pessoas... Nenhuma delas podia sequer notar a desordem de sentimentos dela, mas todos pareciam acusá-la, como se vissem todas as más idéias que passavam por sua mente naquele momento.
Mas não havia o que acusar ao certo, ela estava confusa, perdida em um turbilhão de sentimentos. As borboletas de seu estômago se reviravam e ela não tinha idéia de onde estava indo. Resolveu então prosseguir, iria à aula e não voltaria para casa. Ela tinha saído de lá, tinha deixado o lugar que a tratara tão bem por anos porque não poderia mais suportar ser quem ela não queria ser, fazer o que não queria fazer. Estava na hora de deixar que ela realmente era dominar sua cabeça. Pela primeira vez na vida ela estava sendo que queria ser, inventando um personagem bem no fundo, na raiz, sentindo apenas o que queria, controlando seus atos e ações, é como se quem ela fosse não importasse mais, mas ela podia controlar esse personagem e o que era melhor, levar todo o crédito por ser quem faria tudo.
Nesse momento, depois de refletir sobre tudo isso, ela sabia que havia mudado, tinha crescido e amadurecido - ou não - em poucos segundos. Não era mais igual, e gostava do sentimento da liberdade aflorando em seu rosto: seu passo agora era decidido, firme. Ela iria aonde quisesse e nada, nem ninguém poderia impedir.
Sentou-se em seu lugar habitual, abriu seu caderno e não pegou uma caneta. Ela não iria mais escrever, estava se despedindo do que fora um dia, embora não houvesse ninguém ali que pudesse perceber quem ela era. Afinal de contas, despedidas feitas, em menos de dois minutos ela guardou o material de novo, deu uma olhada na sala, como se as paredes pudessem ouvir seu adeus e saiu.
Ela ganhou o mundo de novo. Agora era diferente, ela era a dona de sua própria vida. Andou pelo centro. Resolveu passear pelo shopping, ela tinha dinheiro suficiente para viver bem por algum tempo sozinha, mas antes que o dinheiro acabasse ela iria encontrar um jeito de fazer mais. Esse pensamento era seu combustível, e ela nem precisaria comer se pudesse passar todo o tempo fazendo apenas esses planos.
Comprou algumas roupas, não muito caras, era preciso guardar um pouco de dinheiro, ela poderia precisar mais tarde. Enquanto tomava um milk-shake de morango -seu preferido- ela se tocou que precisava de um lugar para ficar. Aproveitou que seu celular ainda tinha algum crédito, ligou para uma amiga:
-Hey, tudo bem?! Tá de bob´s? Aparece aqui, to no shopping.
_Ahm... Vem pra cá, meus pais não estão em casa, pensei em dar uma festinha...
_ok, marca que já tô chegando!
Ótimo, era a desculpa perfeita e ela já tinha encontrado como fazer tudo. Seu plano praticamente se desenhou sozinho em sua cabeça, e ela só precisava ser calma e fazer tudo em seu tempo. Ela poderia dormir na casa da Lu, ligaria para os pais, diria onde estava e no dia seguinte ela sairia para procurar um lugar para ficar. O vento fresco da liberdade tocava seu rosto em forma de uma leve brisa suave. Tudo estava começando bem...
[Continua]
Parte 03: Belo começo.
Assim que ela chegou à casa da Lu, ela o viu: Luke. Ele estava lá e o jeito que olhava para ela trouxe idéias maliciosas para sua cabeça... Ele era tão legal e tão sexy ao mesmo tempo: até o jeito que ele falava costumava fazê-la queimar. Se ele alguma vez falasse um pouco mais perto de suas orelhas, ela com certeza tiraria toda a roupa e tentaria satisfazer aqueles desejos que ela podia ver brilhando no fundo do brilho dos olhos dele. Adivinha! Ele estava vindo em direção à ela. Aquilo devia ser por causa de suas pernas longas e grossas dentro da mini-saia curtíssima e os ombros nus que insinuavam que ela tinha muito mais por dentro. Meu Deus, ela estava tão nervosa, o que iria dizer a ele?? Ela ainda nem tinha entrado no apartamento e lá estava aquele deus grego pegando sua mão e levando ela para o meio da multidão.
-E aí, gata, eu não sabia que você vinha...
-Nem eu... Mas eu não sabia que você conhecia a Lu... - Elas estudavam juntas desde a 1ª série, e a Lu sabia de to-das as definições mais raras da vida dela. E sabia, inclusive, que o Luke era o sonho de uma noite perfeita dela desde que ela descobriu o que os garotos e garotas podiam fazer juntos que não fosse brigar.
-Yeah, eu conheço. E ela me disse muita coisa sobre você...
Ela não podia acreditar naquilo: enquanto ele falava, ia chegando mais e mais perto do rosto dela. Seu hálito fresco soprando contra o "Piercing" que ela ainda cheirava, embora já tivesse tomado banho há algumas boas horas, um arrepio crescendo por todo o corpo dela.
-... e tudo que elame disse me deixou um pouco curioso... Será que você me deixa satisfazer um pouco dessa curiosidade?
Mas ele nem precisava perguntar, embora ela não tivesse tido tempo suficiente para responder, já que ele fez isso por ela, beijando-a com tanta vontade. Ah... Ela podia sentir quanta tensão sexual estava flutuando no ar ali perto dos dois e eram eles quem estavam criando ela ali. Parecia que todos os casais em volta dele respiravam essa tensão e começavam a criar a sua própria bem ali. Mas ela não iria embora. As mãos dele suavemente passeando por todo seu corpo, fazendo-a queimar muito mais e ele parecia saber disso: ele sabia o destino de suas mãos. Mas quando elas pareciam ter encontrado o caminho, o celular dela vibrou: oh-oh!
-Oi, pai.
-Você volta pra casa hoje?!
-Não, não vou. Já tá tarde, eu tô na casa da Lu...
-Tudo bem. Vê se come, hein?! Boa noite!
Droga! Como eles podiam ser tão chatos e tão legais ao mesmo tempo? Mas ela teria tempo para retribuir tudo... As mãos de Luke encontrando de novo o velho caminho quando ela se tocou do que estava acontecendo ali: ela era tecnicamente virgem ainda, e estava para perder isso ali, com aquele sexy e desconhecido cara, na sala do apartamento de sua melhor amiga, sem proteção ou privacidade: ela difinitivamente não queria aquilo. Pílula-do-dia seguinte não era pra ela, ela tinha que sair dali de qualquer jeito, e rápido.
-Olha, eu preciso ir...
-O quê? Mas como assim...? -Ele era realmente convincente, começando a beijá-la de novo.
-Não, não dá. Eu preciso ir, além disso, acho que essa posição pode deixar um pouco desconfortável quando as pessoas começarem a reparar que alguém está um pouco fora de lugar...
-Ah, sim... Com certeza... Olha, eu fui muito rápido... ...?
-Não, não... Eu só.. preciso ir agora... Eu preciso achar a Lu.
-Olha, eu acho que você com certeza não vai querer ver o que ela está fazendo agora lá no quarto da mãe dela. Ela não tá sozinha... vem, eu vou chamar um táxi prá você.
Como Luke podia ser tão legal e tão quente ao mesmo tempo?! Ela ainda estava excitada e podia ficar ali, só beijando ele a noite toda, mas ela ainda tinha alguns problemas para resolver. Como agora: aonde ela iria, já que não podia ficar na casa de Lu e o garoto mais lindo do mundo estava ali com ela, pedindo um taxi? Na verdade, dois, ele também estava indo embora, o que era um bom sinal: ele não se juntaria aos casais triplos nos quartos do apartamento da amiga... Ih... Eram 3 da manhã. Onde você pode ir às 3 da manhã se não pode voltar para casa e não pode dormir na casa da sua melhor amiga? Claro! Na casa do Matt!! Isso é, se ele ainda estivesse em casa, né? É, aquela noite estava apenas começando, e em muito bom estilo...
[Continua...]
Parte 04: Da Lu para o Matt: noite longa.
A casa da Lu era sempre louca. A começar pela mãe dela que era uma maluca, sem juízo que vivia se embrenhando em um novo amor e acabava sempre no puff da sala um mês depois, comendo uma panela de brigadeiro e assistindo toda a programação do canal Sony, jurando que não faria igual. Ela sempre saía pra balanda na semana seguinte, afinal ela só conseguia ficar sozinha uma semana mesmo... Encontrava mais um que todos sabiam que iria quebrar se coração de novo e prometia pra si mesma que daqui pra frente iria ser diferente.
A festa daquela noite tinha sido muito estranha. Ela não tinha encotrado a Lu, que estava ocupada demais com alguns rapazes para conversar com ela. E ela tão precisada de falar um pouco da nova 'ela' que havia nascido naquele dia... Que esperasse. Mesmo porque, sua cabeça dava voltas, o dia tinha sido, realmente, incrível e agora ela ainda tinha um novo alguém de quem esperar ligações, que não dos seus pais chatos-compreensivos. o Luke parecia ser o tipo de cara que tinha A pegada, mas não queria sair gastando isso com qualquer uma por aí, e parece que ela tinha sido a escolhida, pelo menos dessa vez.
Ela não tinha tido muita sorte no jogo do amor, embora estivesse satisfeita com a quantidade de joguinhos em que entrou para virar tudo e fazer os garotos entrarem no seu. Ela realmente sabia jogar. Não que ela fosse uma jogadora convicta, no fundo ela só queria ser alguém legal, e ainda guardava o sonho romântico de encontrar alguém para dividir o resto da vida, numa casinha legal, com filhos lindos que poderiam fazer de tudo o que ela tinha sido privada. Até umas horas atrás, porque desde que saiu de casa, ela já era outra bem diferente, que podia tudo!
A casa do Matt ficava um pouquinho longe da casa da Lu, e no caminho Ela pensava em tudo tão rápido, que todo seu pensamento naquele momento era um borrão de imagens, memórias e um pouco de alucinações alcoólicas. De repente lhe ocorreu que Matt poderia não estar em casa e isso definitivamente acabaria com os planos dela. Por isso pegou o celular no meio de tantas sacolas das compras que tinha feito mais cedo e procurou o número dele na agenda: ele era sempre compreensivo quando ela precisava desabafar, parecia que iria estar ao lado dela a vida inteira, pra tudo.
-Matt, sou eu... Onde você tá?
-Ah, nem acredito que é você! Logo você, a senhora eu-durmo-cedo-e-só-estudo me ligando a essa hora?
-Matt, não brinca, onde você tá?
-To chegando em casa... To no taxi, e você?
-To no taxi também. Posso dormir na sua casa hoje? Quando eu chegar eu te explico. Até daqui a pouco!
A casa do Matt era sempre tão cheirosa do perfume que ele usava... E muito arrumada também, era herança da mãe dele. O Matt morava sozinho e estava sempre muito cheio de festas e lugares bacanas pra ir. Sempre tinha os melhores amigos do mundo que não eram como os dela, que a abandonavam por outros amigos mais precisados ou uma festa secreta. Era o tipo de cara que ela amava muito, mas para ser quem ele era: seu primo. Mais do que isso e ela não poderia suportá-lo. Ele tinha a vida agitada demais, e se a própria vida dela já não fosse louca por si só, ela não queria mais ninguém assim do lado dela. Talvez seja por isso que ela não podia ter mais do que 3 amigos por vez: ela ia revezando um por um, até que conseguisse fechar um ciclo de boa presença para todos.
Mas isso não era de todo ruim, os amigos dela era bons, sim. Cada um tinha suas particularidades, e pareciam que tinham sido feito sob medida para cada problema que ela tinha. Ela sabia com quem poderia contar em cada situação e o escolhido da vez não restava dúvidas:
-Matt, cadê você?
-No banheiro! - Matt vinha gritando, deixando a luz do banheiro acesa, enquanto vinha, já de pijamas, pegar suas sacolas e levá-las para o quarto. Logo em seguida, foram para a cozinha, o lugar onde mais gostavam de conversar sobre a vida, enquanto tomavam um bom Toddy gelado pra afastar a ressaca da noite.
Mas embora conversassem, ela não poderia fazer o drama que faria para Lu, contando como tinha saído de casa e como faria para viver os melhores dias de sua vida para sempre. Dizer que não queria mais voltar para casa e que estava tirando umas férias da própria família seria um bom pretexto para deixar tudo claro e limpo, ela não podia esconder de Matt suas intensões,eles não tinham segredos um com o outro há anos. Claro que haviam detalhes que não precisavam ser ditos, mas nenhum dos dois mentiria se fossem perguntados.
Terminados os Toddies, cama! Nada melhor do que uma boa noite de sono - ou pelo menos um pedaço disso - para recuperar as energias. Ela sentia que sua cabeça precisava descansar um pouco para assimilar tudo o que havia acontecido desde que trancara a porta do próprio apartamento há o que parecia ter sido 50 milhões de anos atrás.
[Continua...]
Parte 05 - É hora de realizar os planos.
O dia, irônicamente, tinha nascido lindo, perfeito para fazer tudo que sua nova personalidade pedisse. Matt também estava acordando e eles poderiam conversar durante o café da manhã, embora ela não fosse muito de conversa depois que acordava.
Muitos cafés e pães-de-queijo depois, Ela pegou uma mochila emprestada de Matt, colocou todas as compras que tinha feito dentro, inclusive a própria bolsa e saiu, precisava muito resolver alguns problemas.
Alguns minutos e um taxi depois, Ela já estava na porta da casa de Lu, abrindo o portão com a chave da amiga que ela, prudentemente, havia pego na noite anterior porque sabia que teria que salvar a amiga numa hora dessas. O apartamento de Lu estava desconfigurado, alguém muito mal tinha dado Reset ali: havia latinhas de cerveja, restos de comidas e camisinhas jogadas por toda o chão, usadas ou não. Ela achou Lu dormindo na cama da mãe, sozinha, enquanto pelo menos umas 10 pessoas se amontoavam nos outros quartos, alguns cobertos apenas com as mãos do parceiro da noitada.
Ela sabia que a mãe de Lu guardava um alto-falante que ganhara no inimigo oculto do ano passado, ali, em algum lugar e enquanto procurava por ele, Lu acordou e já vinha abraçar a amiga, jurando que tinha tido a melhor festa da vida dela.
-Hey, Lu, tá afim de ver algumas pessoas bem folgadas sumirem daqui em um minuto e meio?!
-Lóóóóóóógico, mas num é gente que a gente conhece não?
-Não, não... Tá tudo de boa, mas dá uma olhada nisso!
Ela pegou o alto-falante e começou a gritar uma espécie de alvorada muito da desafinada e a dizer que já havia tirado fotos de todos os que estavam ali e colocados na internet de maineira que até os respectivos pais já estariam à caminho, a essa hora, para buscar o que havia restado de seu rebento. No susto, as pessoas começaram a correr, procurando seus pertences e sair gritando, feito loucas, implorando que, de repente, passassem uns 10 taxis ao mesmo tempo naquela ruazinha tão calma onde ficava o prédio de Lu.
-Ai amiga... Sabia que amigos são pra isso mesmo, né... Eu tinha certeza que um dia você ainda ia me salvar! Minha princesa encantada, já estacionou seu cavalo branco aí na nossa vaga na garagem?
Lu ainda estava um pouco bêbada, e Ela foi ao fogão preparar um café bem forte para a amiga. Humpf, a vida era ingrata assim mesmo: ela precisando tanto de alguém e a melhor pessoa para ajudá-la agora era a que mais precisava de sua ajuda; ela não tinha muito o que fazer, afinal de contas.
-Alô. Leny, sou eu, tudo bem?
-Ueah, linda, me ligando a uma hora dessas? Tá precisando de alguma coisa?
-Na verdade tô! Será que se te pagassem o dobro você não daria um jeito numa casa que está, assim, quase desmoronando?
-Ah, pelo dobro... Tô precisando mesmo desse dinheiro... Me espere aí que já estou chegando!
Depois de dar o endereço a Leny, Ela ficou pensando que a vida era realmente muito enraçada. A Leny a conhecia desde criança, tinha sido sua primeira babá, e agora estava lá, quebrando um galho não só para ela, mas principalmente para Lu. A mãe de Lu chegaria às 18:30h da tarde no aeroporto e com certeza estava de péssimo humor: a agenda na cabeceira da cama indicava dia explisvo:TPM. E para variar, ela estaria voltando mais cedo porque, provavelmente, tinha brigado com o namorado. Isso era muuuuito perigoso, e na testa dela, uma hora dessas já devia estar escrito PERIGO em letras gigantescas na testa vermelha de raiva dela.
-Lu... Você já não é mais problema meu. Vê se paga a Leny o tanto que ela pedir e muito agradecida, viu? Eu já vou, ainda tenho umas coisas pra resover ainda hoje.
Mas enquanto saia, alguma coisa lhe ocorreu: Luke.
-Pensando melhor, acho que preciso contar uma coisa...O que é que você andou dizendo para o Luke, hein?
-Eu?? Disse nada, ueah...
-Disse sim, e quem me contou foi o próprio. Vai, vai, pode ir confessando!
-Tá legal. Ele me ligou hoje de tarde... Querendo sair, sabe... Um programa casual, disse que estava um pouco sozinho... Precisando de uma amiga... Então disse que iria te ligar pra aparecer por aqui hoje à noite.
-Hmm.. E como foi que ele te ligou se vocês, tecnicamente, não se conhecem?
-Orkut, querida, orkut! Orkut faz maravilhas!
-Tá... Olha só, tô indo, viu. Se cuida.
Aquela história estava muito mal contada. Como é que, de repente, a Lu falava com o Luke no orkut e ela não sabia? E como é que ela, que também sempre foi muito apaixonadinha por ele, empurra o gato pra ela sem nem tirar uma casquinha primeiro? Aquelas perguntas já estavam encaixadas, e muito bem, na gaveta "preciso de resposta urgente" no cérebro dela. Mas não agora, tinha uma coisa mais importante para resolver antes disso.
Parte 06: Boas notícias têm seu preço.
Ela não contava com isso. No dia em que saiu de casa, que por acaso tinha sido ontem, ela não estava querendo ver mais ninguém, mas, ao telefone, seu pai parecia ter um assunto muito sério a tratar com ela e, pelo visto, ela iria se beneficiar muito do que ele diria, por isso, definitivamente, essa era uma excessão e ela iria almoçar com os pais.
Chegando ao restaurante elegante que os pais haviam escolhido, os três- seu irmão estava com eles - já a esperavam no bar. Foram conduzidos por uma atendente muito educadinha que provavelmente estaria amaldiçoando todos os clientes do restaurante por poderem estar ali, em plena quinta-feira jogando dinheiro e conversa fora.
-Filha, eu e seu pai tomamos uma decisão muito séria e dessa vez, percebemos que a decisão cabia a nós dois. Por isso não consultamos nem à você e nem ao seu irmão: estamos comunicando, o que não trará atritos, com certeza, porque todos serão beneficiados com isso.
Seu pai foi logo emendando:
-A empresa resolveu abrir um escritório na Califórnia e eu fui escolhido para comandar tudo por lá. A inauguração é segunda-feira que vem e eu, sua mãe e seu irmão embarcamos amanhã porque queremos chegar mais cedo para organizar tudo. A empresa ofereceu casa, carro e as passagens para que vocês nos visitem. Seu irmão ficará com você, e cada um sob a responsabilidade do outro.
Como assim? Uma hora ela queria sair de casa sem deixar pistas e agora seus pais estava fazendo o favor de saírem de sua vida?
-Sim, e cada um receberá uma mesada que enviaremos todo mês. Para não ter confusão, cada um será responsável por pagar algumas com o dinheiro que vamos mandar. É bom que vocês poderão criar um senso de responsabilidade social e ecologicamente correta, quanto menos gastarem, mais sobrará!
Caramba! Eles não estavam fazendo um favor, estavam dando um presente! De repente Ela viu montes de dinheiro que ela controlaria sem a opininão de ninguém e sem ter de dar satisfações daquilo pra quem quer que fosse!Ah, aquilo sim eram pais! Pefeitos! Per-fei-tos! Mas só tinha um detalhe: o irmão. Ele era um ano mais novo, mas mentalmente ainda tinha pelo menos uns 11 anos de idade. Eles não se davam muito bem, mas ela também não precisaria vê-lo todo dia... Ter que ficar com ele em um apartamento que alugariam naquela tarde era um bom preço que seria pago por tanta liberdade.
A tarde tinha sido entusiasmadoramente agradável! Tudo que estava relacionado a compras era extremamente prazeroso prá ela; claro, se estivessem comprando algo que a beneficiaria. Caso contrário, era extremamente doloroso ver seus pais gastando o dinheiro que deveriam gastar com ela, com outras pessoas que não retribuíam a gentileza. Ela não ganhava presentes de niguém a não ser que convidasse todos para comerem e beberem de graça em sua casa, no dia de seu aniversário. Com certeza, aquilo era um absurdo, mas ela não se metia mais, já tinha sido humilhada o suficiente no dia em que a mãe lhe disse que não tentasse lhe ensinar como gastar o dinheiro dela.
A noite chegou,e já exausta, ela pensava em muitas coisas: seu corpo estava cansado, mas sua cabeça não lhe permitia descansar. Eram tantos pensamentos rodando sua cabeça... Toca o telefone:
-Alô. Luke? A essa hora? Pensei que nem soubesse meu nome...
-Ah... Qual é? Gata como você a gente não esquece assim, não. Aliás... Não esqueci de ontem mesmo. Tá afim de dar um rolé atoa?
-Eu tô cansada, cara... (melhor ser mais difícil, ela não estava mentindo mesmo)
-Naaada, te pego em casa em 15 minutos, vou te fazer descansar hoje!
-Ah... Tudo bem...
Tudo bem, tudo bem... Mais uma vez ela se viu sem poder negar alguma coisa pra alguém. Mas não tinha problema, ela queria sair mesmo... Ela adorava um dia movimentado, adorava ser requisitada, adorava que as pessoas a procurassem e que ela fosse, embora estivesse cansada.
O Luke tinha um carro legal, era novo, com cheirinho de tuti frutti por dentro e dava pra ver que ele tinha muito cuidado com tudo ali dentro: bom sinal, desde que ele não a trocasse por estacionamentos e lava-jatos nos finais de semana. Mas por que ela deveria se importar com isso? Ela nem estava gostando dele assim, para pensar em futuro com ele... Mas certamente não desperdiçaria aquela oportunidade.
Entrando no carro ela tentava afastar o constragimento que o olhar de Luke causara, logo que ela entrou no carro. Ela parecia nua ao lado dele, embora fosse completamente justificável com aquela mini-saia que quebrava o romântico da blusa comprida e justinha, tomara-que-caia que estava mais abaixo do colo, insinuando aventuras misteriosas dentro de seu decote. Mesmo assim, o olhar faminto de Luke não a enganava, ele tinha intensões pervertidas e ela não queria retribuir: isso iria dar trabalho naquela noite. Puxa, ela enfim se dava conta da fria em que tinha se metido, mas sabia como sair dessa.
-Vou ligar pra Lu, tenho certeza que ela tá precisando dar uma volta... Pega a direita, a gente vai passar na casa dela, ok?
Aquilo decididamente não estava nos planos dele, mas antes a segurança dela do que a cara fechada dele.
-Lu, doida! Desce, moça, tô na porta da tua casa te esperando pra sair. Anda logo que a gente vai dar um rolé de bobs. Sem brilho!
-Você que manda!
Ah, era por isso que ela adorava a Lu, com ela não tinha tempo ruim, todo dia era dia, toda hora era hora, todo mundo era a pessoa certa. A Lu era igualzinha à mãe dela!
Mas aquela noite ainda prometia. Foram pra um barzinho no coração jovem da cidade: o Afrodick era o lugar mais fedido a maconha e agradável ao mesmo tempo, no mundo! o lugar perfeito prá quem não quer agito, só um papo bacaninha... Mas embora o lugar fosse legal, o Luke que não tava no clima. Ele se sentou ao lado dela e aquilo, mais a mão boba dele sobre sua perna foram o suficiente pra provar pra ela que ele não só daria trabalho: era melhor voltar pra casa de taxi.
Pediram três cervejas (ah, tudo bem, vai, daí a pouco já era final de semana...) e uma porçãozinha divina chamada de Bob Marley. Não era atoa. Todas paredes do bar tinham fotos dele, de todos os jeitos possíveis. Mas ao fim do primeiro copo ela já havia afastado as mãos dele umas 5 vezes e aquilo já tava cansando. Com a cerveja começando a subir, ela pediu uma caipirinha, largou a Lu na mesa e foi a banheiro, tendo certeza de que seu celular estava no bolso da saia, ele seria a estrela salva-vidas da noite. Mas quem poderia salvá-la? Quem aceitaria fazer o papel ridículo que ela iria propor? Ah... Isso sim era problema.
A única pessoa que faria isso sem problemas era a Mary. Ela não recusaria, afinal, ela sempre a salvava das furadas mais inacreditáveis que Ela conseguia se meter.
-Mary, sou eu, amiga. Tô precisando muito de você! Tem crédito? precise q me ligue daki a um minuto e meio dizendo que está na minha casa e me esperando pra fazer uma coisa inadiável. Diz que precisa pegar um vestido de festa comigo pra hoje ainda. Ainda são nove e meia da noite, dá tempo. Quando eu chegar em casa eu te ligo e te explico. Brigada, amiga. É por isso que eu te amo!
Mary era perfeita para essas viradas que a vida dela dava. Era ótima inventando desculpas. Talvez por isso ela não soubesse fazer mais nada tão bem.
-Alô, Mary? Hã? Na minha casa? Agora? Calma, amiga, te salvo! Aí, galera, foi bom enquanto durou. A Mary tá na minha casa nesse minuto me esperando pra emprestar um vestido pra ela: o dela acabou de estragar o zíper e ela precisa ir numa festa.
-Tudo bem, gata, eu te levo.
-Não! -Como assim, cara, estou fugindo de você, não percebeu ainda? - Não, Luke, pode deixar preciso ir mesmo, vou de taxi. Além do mais, minha mãe vai fazer muitas perguntas se você me levar. Deixa pra outro dia.
Ela tinha tanta pressa de sair dali... O taxi já estava na porta esperando por ela. Ela voltou tranquila para casa, ressonando no banco traseiro do carro, aliviada de ter se livrado, pelo menos por aquela noite, do terrível Luke. Haha, ele não era tão terrível, mas agora tudo era um borrão distante em sua mente cansada.
Parte 07 - Muito mais de seus sentimentos
Que inferno! Eram 8 da madrugada , em pleno sábado, depois de uma semana incrivelmente cansativa e já tinha gente acordada no mundo? Tá bom, tá bom, pelo menos o fim de semana prometia. Com os pais bem distante dali,a vida com certeza mudaria muito: e pra melhor, do jeito que ela tinha planejado durante todo o tempo que em se rebelou, na quita-feira e tinha decidido sumir no mundo.
Particularmente, aquela fuga tinha sido um desastre, e Ela ainda sentia um gostinho amargo de fracasso chamando sua razão lá finzinho de seu eu: ela nunca conseguia fazer as coisas a que se propunha, embora no momento da raiva, todos os planos de suicídio e e fuga parecessem tão lógicos e friamente traçados.
O novo apartamento, alugado às pressas e luxuosamente decorado em que ela e o irmão iria morar, até que a vida dela tomasse rumos definitivos, pelo menos para uma decisão, era infinitamente menor do que a cobertura triplex em que havia morado por quase toda a vida. Mas isso não fazia diferença, ela pensava, ela não iria passar tanto tempo ali mesmo. Ou pelo menos era o que pretendia. Obviamente, ela sabia que agora não teria a mãe por perto, tendo sua opinião própria dos acontecimentos e alertando a filha sobre sua imagem e atitudes, logo, ela teria de se virar sozinha, e era bom que tomasse um pouco mais de juízo. Mas não assim, tão rápido: Ela merecia uma semanazinha que fosse de liberdade, só pra dizer que estava aproveitando as oportunidades que a vida lhe dava.
Seu dia fora inteiramente preenchido com a mudança. Ela se sentia profundamente contraditória: não bastasse o fracasso novamente pertubando no distante de sua mente (ela preferia ignorar, para não desabar de vez), ainda estava ali, completamente absorta em pensamentos que a machucavam. Uma hora ela odiava tanto a família e todos os seus problemas: a mãe, sempre em cima, controlando sua vida a cada momento, escolhendo por ela seus amigos, os lugares que ela frequentava e o tipo de depilação que faria... Uma pontadinha de culpa lhe cortava o peito; era doído odiar aquelas pessoas e ao mesmo tempo saber que os amava tanto e sentiria infinitas saudades enquanto eles estivessem fora. Definitivamente, não sentiria saudade dessas partes ruins do relacionamento deles, mas dos bons momentos que passavam juntos: ela sabia o quanto os pais lutavam. Ela sabia que em vez de serem egoítas e terem escolhido uma vida muito menos regrada e egoísta, eles haviam escolhido tudo o que queriam pra si mesmos, prá ela e seu irmão. Era meio que errado odiar alguém que tinha feito tanto por você...
Por todos aqueles pensamentos, na manhã seguinte foi meio doloroso dizer adeus aos pais, embora ela soubesse que eles estariam de volta em um mês, como haviam prometido. O negócio agora era tomar cuidado: as coisas não deveriam mudar muito do jeito que eles haviam deixado. Tudo se baseava no lance da confiança: anos para se construir, segundos para desmanchar. Ela não era de jogar as coisas fora desse jeito...
-E aí, tem alguma idéia do que a gente vai fazer agora?
O irmão dela era sempre assim, desligado e ligadão ao mesmo tempo: ele parecia se encomodar com as coisas em volta dele, mas de uma maneira bem peculiar: nem tanto que chegasse a tomar alguma atitude, nem tão pouco, que não deixasse os outros perceberem que estava preocupado. Ele tinha os próprios amigos, então acho que se veriam pouco por agora. Ou não.
-Não sei. Tá afim de pegar um rodízio de carne?
-Demorô!
Parte 08 - Surpresas agradáveis; prá quem não acredita em destino...
Mais uma vez a semana começava e dessa vez, ela querendo ou não, tudo seria diferente. Ela iria para o cursinho de novo, embora já houvesse se despedido dele naquela quinta-feira trágica. Ah, qual é, tá tudo bem. Quem nunca tinha cometido o deslize de achar que iria morrer?
Ela estava sentada num ônibus meio cheio, meio vazio, vestida sem nenhum estilo. Pelo menos ela tinha um rosto bonito e muito bem maqueado que desculpava seus All Stars sujos, que um dia, talvez, tenham sido brancos. O ônibus estava parado naquele trânsito horrível de fim de tarde e em 5 minutos, tudo que tinham andado era, no máximo,2 metros.De repente a porta do ônibus se abriu de novo e adivinha quem ela viu subindo a bordo mais loiro e lindo do que nunca? Ele. Não um ele qualquer, era ELE: Marcos. O Mark, como chamavam, era otipo de cara que ela daria cada moeda que não tinha para sentar perto dele, e então eles começaria a conversar, a se encontrar fora da escola, a se amar e, algum dia, casar. Mas ele deixou a escola que ela estudava antes que o momento em que ela se tornou verdadeiramente bonita e mulher chegasse e fizesse com que todos reparassem que ela era, de fato, bonita. Pobre Mark, não sabe o que perdeu. Ou estaria descobrindo agora?
Eles tinham sido amigos mas Mark deixou a escola enquanto eles estavam seguindo para o segundo estágio da escala dela. Ele continuava sendo um cara muito legal, bonito e com todos aqueles músculos bem trabalhados. Pouca emoção? Ele a reconheceu e sentou-se ao lado dela. Talvez porque o decote bem posicionado dela possa ter lhe chamado a atenção, o ônibus continuava parado quase perto do lugar que eles embarcaram e não conseguiam manter a conversa, o assunto simplesmente sumiu. Ela também tinha culpa, as vitrines das lojas as quais eles estavam parados em frente ofereciam ótimas liqüidações e era simplesmente impossível para ela não se imaginar usando uma daquelas lingeries de rendas provocantes naquele momento, em vez do push-up que sustentava seu decote insinuador, e se insuasse para o gato mais quente da semana ali, do seu lado.
Mas ele também parecia preocupado com a falta de assunto e tratou logo de arrumar alguma coisa legal pra eles conversarem, antes que ela descesse do ônibus e ele não pudesse aproveitar aquele reencontro casual. Ela estava bem diferente da garotinha tímida que conversava com ele na escola: agora era descolada, bonita, conversava legal e ainda por cima usava um decote provocante que não dizia o que havia ali diretamente, mas fazia um joguinho delicioso que o incitava a descobrir. Alguns quarteirões antes do ponto em que ela desceria, ele começou a procurar alguma coisa em sua mochila:
-Ah, não... Esqueci meu celular de novo... Eu odeio esquecer meu celular!
-Opss... Isso é mal! Também não suporto ficar sem o meu, me sinto nua sem ele... - Como se ambos não desejassem que ela realmente estivesse nua. Havia muita tensão de ambas as partes; meu Deus, esse garotos deviam estar na seca há meses!
Mas, na verdade, haviam dois fatos a serem considerados acerca do bendito celular:
1°)Ainda bem que ela havia perdido seu celular durante a mudança do fim de semana. Era incrível como ela conseguia se manter longe de problemas quando não tinha seu celular por perto...
2°) Por que diabos ele estava procurando o celular logo naquele momento, quando ela estava prestes a descer do ônibus e com tantos feromônios de ambos espalhando um clima de sedução no ar? Se Ela soubesse a resposta para isso, ela provavelmente teria imaginado o motivo daquele encontro com cara de "Era uma vez...".
-Foi ótimo ter te encontrado, mas eu preciso ir agora, o próximo ponto é o meu...
-Ahm... Tudo bem, também foi muito bom ter te reencontrado. Posso ligar para o seu primo e pedir seu telefone?
-Bom, eu anoto o seu e te ligo dia desses, pode ser?
Ótimo, sua imbecil, agora arrume uma boa desculpa para ligar pra ele no dia seguinte, você não o vê há anos... Quem sabe ele não esqueceu uma blusa de frio na sua casa?
-Me liga, então! Sério, foi ótimo ter te encontrado depois de tanto tempo! - E melhor ainda vai ser o que vamos fazer agora que você cresceu... Muito melhor do que aquela menininha - Pensava Mark, se considerando um cara sortudo. Quando eles eram mais novos, ela já era gatinha, mas ainda era muito infantil pra ele, mas agora ela era uma mulher, muito adulta e independente, que morava sozinha com o irmão. Isso tornava as coisas muito mais fáceis pra ele, que já tinha pensado seriamente em fazê-la amadurecer alguns anos antes. Mas o tempo já tinha se encarregado disso, e, pelo visto, tinha feito um trabalho muito melhor do que ele poderia esperar. Mas a verdade nisso tudo era: Deus sabe quando, Deus sabe por quê. Aliás, surpresas são sempre bem-vindas, não?
Parte 09 - Contos de fada da vida real.
-Ok, Luke, você está perdoado por me ligar no meio da minha aula de história excitante. Há algum bom motivo pra isso ou eu terei que retirar o seu perdão?
-Não, nããããão...! Por favor! Existe sim, o melhor motivo do mundo: pegue suas coisas, estou aqui embaixo esperando por você. A Kati está dando uma festinha na mansão dos pais dela e adivinha: você não precisa se preocupar com a carona pra voltar pra casa! Mas anda logo que o cara do carro de trás não está com cara de quem espera muito tempo não...
Tudo bem, ela poderia até ter problemas com a excitação de Luke na volta para casa, mas era pra isso mesmo que existiam serviços de taxi por telefone. Além do mais, festa na Kati era extremamente melhor do que mais um tempo de matemática sobre fatoração e números primos. Naquela noite, ela não queria saber de parentes nenhum!
Mas naquele momento, alguém parecia estar entrando na fria da noite. Pobres adolescentes: eles teriam muito menos problemas se soubessem a hora certa de parar. E, sorte da nossa heroína, ou não, sua melhor amiga definitivamente não parecia saber fazer isso.
Quando Ela chegou à casa de Kati, aquele mesmo vento de liberdade tocou o coração dela de novo: sair no meio da aula pra ir a uma daquelas festas loucas nas mansões abandonadas pelos donos e cujos filhos não tinham escrúpulo algum era o tipo de coisa que seus pais jamais permitiriam. AInda bem que agora eles estavam bem distantes e não precisavam saber disso.
Tudo parecia estar bem e fazer o maios sentido, em plena segunda-feira cansada do fim de semana. Parecia. Logo que ela entrou na festa, segurando as mãos de Luke, Lisa, que ela mal conversava surgiu em sua frente, um pouco bêbada demais, dizendo que, se ela ainda não estivesse assim, tão bêbada, era melhor dar uma olhada na Lu, ela devia estar precisando de ajuda com os três caras que subiram com ela para a suíte dos donos da casa, no andar de cima.
Ela subiu correndo, já pensando nas providências que deveria tomar, dependendo do estado em que encontraria a amiga. Mas ao chegar no quarto, a galera estava no banheiro, e curiosamente, Lu estava muito à vontado, pelos risos que Ela ouvia da amiga. Mas de repente, ela começou a dizer que não e que eles deviam parar.
Entrando no banheiro, dois dos rapazes a seguravam enquanto o terceiro se apoiava sobre ela, escorada no deque da banheira. Lu estava tonta demais, de tanto champagne, que não conseguia mais lutar contra os rapazes.
-Solta ela! Sai, sai!
-É isso aí, galera, dando o fora! A diversão acabou! Pelo menos pra vocês.
Hã? Como assim "pelo menos pra eles"? Do que o Luke estava falando?
-Ah, até que enfim você chegou, gata. A gente estava te esperando!
-Me esperando? Como assim? Lu, acho que você devia pedir um taxi e ir pra casa, você não tá bem.
-Ir pra casa? Mas logo agora que a diversão vai começar?
Enquanto Lu dizia isso, Luke a abraçou pelas costas e começou a beijar seu pescoço com um pouco mais do força. Nesse momento, Lu, que já estava quase sem roupas mesmo, a abraçou e também começou a beijar Luke, na boca. Ah! Meu Deus, o que aqueles loucos estavam fazendo ali?
Assim que ela conseguiu sair dos dois, voltou ao quarto para pegar suas coisas. De jeito nenhum que ela iria ficar ali, com aqueles pervertidos, para perder sua virgindade num mènage a troi. Ela mal continha as lágrimas de decepção. E pensar que ela ainda tinha feito planos de namoro com Luke, e uam viagem à praia com Lu nas férias de Julho.
-Calma aí, gata! Onde você vai? Fica mais, a festa tá só começando... Além do mais, amiga, sua primeira vez! A gente precisa perder isso juntas!!!
Ela nem se dava ao trabalho de responder enquanto juntava os cadernos que se espalharam na confusão.
-Pô, gata. Armar toda essa cena me custou uma caixa de cerveja no fim de semana. VOlta aqui!
-O quê? Isso foi um plano? Argh! Eu tenho nojo de vocês dois.
Ela desceu as escadas correndo, pensando que nunca deveria ter saído com o celular naquela noite. Ou talvez não. Ela ainda tinha o telefone de Mark, e, do jeito que as coisas estavam, era até conveniente ligar: eles podiam ir ao cinema juntos, já que ele estava no shopping... Mas o que ele ia pensar dela, com uma vida tão descontrolada? Bom, isso já era tarde, ele já havia atendido o celular.
-Ueah, mas você não tinha esquecido o celular em casa?
-É, mas já passei em casa e peguei de novo. Onde você está?
-Bom, tô na casa da Kati, lembra?
-COmo lembro. Aconteceu alguma coisa? Sua voz está esquisita...
-Aconteceu. Tô precisando de um ombro, você tem?
-Depende... Se você ainda estiver com a mesma roupa que estava usando no ônibus, com os livros todos empilhados nos braços, parada, linda, do lado da escada, do jeito que estou vendo... Tenho sim!
Nisso ela percebeu Mark bem ali, atrás dela, cheirando seu perfume masculino preferido, e mais gostoso do que ela jamais o vira. Não que ela pudesse pensar em sexo por pelo mais duas semanas, até se recuperar do choque que tinha acabado de sofrer.
O destino realmente prega peças incríveis.
"Era uma vez..."